segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

SANTIFICANDO O TRABALHO

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DE COMO SANTIFICAR O CRISTÃO O SEU TRABALHO E AS DIVERSAS OCUPAÇÕES DIÁRIAS

Maria -  Meu filho, os deveres de teu estado poderão trazer-te as tentações demasiadamente cativas, isto é certo. Mas também é certo que, em deles te desobrigando, nem um só momento pensarás no teu Deus.

O Servo - Ó Virgem sempre fiel e vigilante, dignai-vos me ensinar como posso, a exemplo vosso, manter-me unido a Deus durante o trabalho como no exercício das funções do meu estado.

Maria - Filho meu, os trabalhos manuais, as ocupações mais entendidas e embaraçosas não são capazes de suspender em um homem espiritual e superior a união com Deus. Uma alma habitualmente recolhida tem uma maravilhosa facilidade em se lembrar do pensamento de Deus, até nas ocasiões em que os deveres de estado mais fortemente lhe pesem, ameaçando dissipá-la. A pureza de intenções de que sabe animar cada uma das suas ações oferecendo-as a Deus far-lhe-á evitar uma dissipação na qual frequentemente descambam as almas menos atentas. O espírito de fé e religião enobrece tudo, tudo adoça e tudo consagra!

O que se faz com esse espírito é ação que agrada a Deus e que ele julga de suas recompensas.
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Faze para Deus o que fazem tantos outros para o mundo ou para algum interesse temporal. Ocupa-te do que exige o teu estado. Faze-o, porém, com vistas mais cristãs e trabalharás a um só tempo para o tempo e para a eternidade. Se te pões no trabalho por prazer, por humor, por passatempo, por costume, por algum motivo puramente humano, não sendo Deus o princípio de tuas ações, horas inteiras passarás sem que lhe dês uma só das tuas afeições. Não digas que não podes pensar em duas coisas a um só tempo. Um coração diz logo ao seu Deus tudo o que lhe quer dizer. Marta trabalhava para Jesus; não obstante, ela estava atenta ao seu trabalho, mesmo quando Jesus lhe falava. Em meio de tuas ocupações, não é difícil que te entretenhas com as criaturas que te cercam. Faze, portanto, o mesmo com o teu Deus que está presente a tudo o que fazes.

"A sua conversação", bem diversa de tantas conversas humanas, "nada tem que desgoste ou desagrade" (Sb 8, 16). Ela tem, ao contrário, a vantagem de permitir que em quaisquer gêneros de ocupações se desfrutem as suas doçuras.

Grande santo pode-se ser sem passar das coisas banais, desde que sejam tais coisas feitas de uma maneira diferente do que faz a maioria. Na sua maioria os homens só se aplicam ao que fazem tendo em vista que é preciso fazer. Não pensam todavia no fazer por lhes ordenar Deus, e na intenção de agradar a Deus.

Enquanto a ti, meu filho, dize-lhe, ao trabalhar, que sentirás prazer em obedecer à sua vontade. Dize-lhe ainda que para lhe agradar em nada diminuirias de tua aplicação até mesmo nos mais penosos trabalhos.

Oferece-lhe o trabalho em união com todos os trabalhos que Jesus sofreu por tua salvação. Se êxito tiveres dos teus trabalhos, louva Aquele de onde te vem o êxito. Se êxito não lucrares, porém,  submete-te à mortificação do insucesso ocorrido, que assim o permitiu Deus para experimentar a tua paciência.

Por essa união com Deus em todas as ações, ainda as aparentemente mais vis e mesquinhas serão elevadas ao ponto de te fazer merecedor de um novo grau de glória no Céu!

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Maria Sempre!
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FONTE: Religioso Anônimo. Imitação de Maria. Cultor de livros, 2014. Pg. 203-206.
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Sobre a obra: Imitação de Maria foi escrita por um Cônego Premonstratense da Abadia de Marchtal, na Baviera. O manuscrito, do qual não consta o nome do autor, foi encontrado pelo Cônego Sebastião Sailer, da mesma Abadia, e publicado em 1764. A segunda edição latina apareceu em 1768. Nela declara o Cônego Sailer que juntou várias adições ou ampliações à primeira edição de 1764. Igualmente promete publicar a tradução alemã do livrinho, o que fez em 1769. Novas edições datam de 1772 e de 1787. 
Outra tradução da edição de 1764 apareceu em Colônia em 1773. Uma terceira tradução foi feita por Michael Schullere e publicada por Fred. Pustet em 1876 e em 1881. A tradução francesa apareceu em 1876, a espanhola em 1885, a flamenga em 1896. Nos Estados Unidos foi publicada uma tradução inglesa nos Annals of St. Joseph. No Brasil, a 1ª edição saiu a lume em 1934 e a 3ª, em 1949. 
O título original é: "Kempensis Marianus sive Libellus de Imitatione Mariae Virginis et Matris Dei". 
Cônego Guilherme  Adriaansen, O. Prem.

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