segunda-feira, 31 de maio de 2021

AS CINCO PRIORIDADES DA VOCAÇÃO MATRIMONIAL



Com todas as minhas pesquisas, nunca encontrei um exemplo de regra de vida escrito por um leigo. A maioria das regras que encontrei eram de entidades religiosas.

Então eu me perguntei: o que havia na minha vocação que era exclusivo para a vida de casado? Onde posso pedir ajuda nesta definição e desenvolver uma regra específica para mães?

Me lembrei de um velho padre sábio me contando, no início do meu casamento, sobre os Cinco “Ps” da vida conjugal - as cinco prioridades da vocação matrimonial:

Primeiro P = Prece
Segundo P = Pessoa
Terceiro P = Parceiro
Quarto P = Pais 
Quinto P = Provedor

O padre disse que toda mulher chamada a ser esposa e mãe tem certas obrigações que devem ser cumpridas; verdadeiros “deveres” no sentido de que não podem ser ignorados ou negligenciados. Eles não são opcionais para uma mulher casada, independentemente de suas outras obrigações. Uma mãe tentando abrir mão de qualquer uma dessas cinco prioridades seria como um médico abandonando seu consultório e indo praticar a lei. Quer soubéssemos ou não no que estávamos nos metendo quando dissemos: "Sim", essas obrigações são nossas em virtude da vocação matrimonial.

Então, comecei a organizar minha vida de acordo com a hierarquia adequada de prioridades. 

O primeiro P: Prece

Deus estava me chamando para colocar minha vida pessoal em ordem, a fim de estabelecer, como prioridade máxima, o cuidado da minha alma e do meu corpo. Usei um tempo para refletir a importância dessas atividades. Isso significava que eu tinha que colocar "O Primeiro" em primeiro lugar, e O Primeiro era Deus. Em vez de nunca encontrar tempo suficiente para Deus em meio a tudo, tive que trabalhar com Deus em tudo. Isso significa que eu determinei quais orações e práticas eram necessárias para minha vida espiritual e elaborei um cronograma para elas. Eu também criei um programa de estudo e leitura espiritual, Missa, Adoração e Confissão, dias para um retiro em silêncio e encontro com meu diretor espiritual. Desenhei uma rotina básica de oração familiar para ajudar meus filhos a colocar Deus em primeiro lugar também.

O segundo P: Pessoa

Em seguida, eu precisava ter certeza de que estava bem com minhas necessidades físicas básicas. Então, comecei a perceber como sentia muito sono e que meu corpo precisava de exercícios para me manter revigorada, que tipos de alimentos e suplementos vitamínicos era necessário, e assim por diante. Eu da mesma forma reconsiderei minha saúde mental e emocional.

O terceiro P: Parceiro

Agora, Philip é um homem adulto e capaz de cuidar de si mesmo! Mas eu entendi que um mar sólido e amoroso é o alicerce da vida familiar e, portanto, a próxima parcela de meu tempo e energia tinham que ser direcionados para meu parceiro, meu marido. Então, separei minhas noites para estar disponível para ele em primeiro lugar, antes de todas as outras atividades.

O quarto P: Pais

Eu tinha apenas considerado as necessidades físicas e espirituais dos meus filhos enquanto eu trabalhava minhas próprias, mas agora eu entendi que precisava concentrar em como amá-los de uma forma consciente e consistente. Tentei estar mais disponível para eles ao longo do dia, e logo descobri que errei, que não era apenas minha disponibilidade física que era necessária; meus filhos também precisavam que eu estivesse mentalmente disponível para eles - estar totalmente atenta à eles quando eu estivesse com eles. Eu tive que adiar os projetos que enchiam minha cabeça e tomavam meu tempo para simplesmente conversar, rir e estar com eles.

Em relação ao chamado para educar meus filhos, percebi a necessidade da oração, Santa Missa, conversas sobre a fé, boas histórias de santos e virtudes tão importantes quanto sua lição diária de matemática.

Então, comecei a trabalhar no desenvolvimento da espiritualidade deles um pouco mais regularmente e encorajando a prática da oração e a busca mais frequente dos sacramentos.

O quinto P: Provedor

Tanto meu marido quanto eu somos chamados para sustentar nossa família. Philip ajuda indo para o trabalho e ganhando um salário. Eu ajudo do meu jeito, cuidando de manter e arrumar (tanto quanto possível) nossa casa e nossa renda, e se o tempo permitir, em ganhar uma pequena renda extra em uma atividade complementar para ajudar financeiramente.

Para as mulheres trabalhadoras, os deveres de seus empregos figurariam aqui também. Decidi colocar a casa em ordem e comecei a criar uma rotina de trabalho que cuidava das necessidades básicas diárias, semanais e mensais da casa. É incrível como o trabalho doméstico diminuiu e o tempo de limpeza diminuiu, quando a casa é mantida regularmente em vez de permitir que as coisas se acumulem! Também criei espaço para projetos de casa e jardim e alguns projetos de geração de renda. E depois de tudo isso, descobri que ainda tinha horas por dia de tempo livre, que poderia dedicar ao trabalho voluntário, um tempo para a família ou em algum outro serviço à minha igreja ou comunidade.

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Maria Sempre!
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FONTE: PIERLOT, Holly. A Mother's Rule of Life - How to Bring Order to Your Home and Peace to Your Soul. Sophia Institute Press, 2004, pg. 17-20.
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Sobre a obra: Este livro te ajudará a trazer paz ao seu lar! Crie sua própria Regra de Vida de Mãe, um padrão de vida que combina a sabedoria espiritual do mosteiro com a sabedoria prática da maternidade. Com a sua própria ajuda, você pode controlar sua casa, aproximar-se de Deus, amar mais seu marido e criar bons filhos cristãos.
Holly Pierlot

Tradução e adaptação de: Bárbara de Carvalho Guedes Marques - membro da SSVM.

sábado, 24 de abril de 2021

COMO CORRIGIR O SEU FILHO



Como mãe, uma de nossas funções é ensinar nosso filho a se comportar. É um trabalho que requer tempo e paciência. Porém, ouvimos tantas opiniões diferentes que não sabemos se estamos agindo corretamente. Afinal de contas, como devo corrigir o meu filho?

Não há nada mais falso e mais cruel para a própria criança do que essa errônea sensibilidade que consiste em inclinar-se diante dos caprichos e faltas, sob o pretexto de que se trata apenas de uma criança. É claro que não se cogita de brutalizá-la; mas, erigir em princípio ser preciso não impor às crianças qualquer sofrimento, mesmo leve, é um absurdo que levará a criança a se tornar o nosso próprio tirano.

A punição, para ser educativa, isto é, para formar a consciência, deve sempre ser dosada, ou melhor, adaptada à idade da criança, ao seu caráter, ao seu temperamento, bem como às circunstâncias da falta. O mau jeito é uma coisa, a maldade, outra. Uma coisa é uma irreflexão, outra uma falta de respeito.

As crianças punidas com muita frequência terminam por suportar alegremente os castigos, como suportam os raros momentos desagradáveis de suas existências.

Que fazer quando a uma sanção a criança responde: "Não me importo"?

1. Não responder ao pé da letra: "Também eu", ou então: "Tanto melhor se não te importas!"

2. Não ameaçar com uma sanção mais forte : "Uma vez que não te importas, está provado que não te bati o suficiente."

3. Dizer simplesmente: "Meu fim não é o de te ser desagradável, mas o de te dar ocasião de refletir, de te acalmar ou de te impedir que incomodes os outros."

Na maioria das vezes, a doçura após a correção fará com que a criança compreenda o fim verdadeiro de vossa imaginação.

Refleti antes de proferir uma ameaça. Se ameaçais com frequência sem executardes vossas ameaças, estas se tornarão para a criança uma brincadeira sem importância ou um autêntico jogo.

Nunca se deve aplicar o castigo de uma maneira implacável e sem remissão. É preciso deixar à criança a possibilidade de reparar a falta pela confissão e pelo esforço. A sanção irrevogável desestimula a vontade de reparação.

É sempre preciso não voltar atrás de uma sanção justa. Suspender levianamente uma punição merecida é dar antes prova de fraqueza do que de perspicácia. Lembremo-nos de que a vontade da criança precisa apoiar-se numa autoridade tão lógica quanto firme.

É preciso não punir tudo. Há pecadilhos que devemos às vezes fingir que não vemos, sobretudo se não têm consequências morais ou sociais. Mas, quando se proíbe uma coisa, que seja para todos os dias, enquanto não mudarem as circunstâncias.

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Maria Sempre!
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FONTE: COURTOIS, Pe Gaston. A arte de educar as crianças de hoje. Livraria Agir Editora, 5ª ed., 1964, p. 85-90.
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Sobre a obra:  Este livrinho deve mais ainda à observação do comportamento dos pais relativamente aos filhos, à verificação de múltiplos erros de que os filhos, e também os pais, são vítimas frequentes. Este livro se apresenta, pois, sob a forma de pequenos conselhos, cujo mérito outro não é senão o de terem sido experimentados positiva e negativamente por numerosas famílias pertencentes aos mais diversos meios.
Pe. G.Courtois